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Sobre a "Crise Sombria"

Crise Sombria 1 - 128 pgs. - R$ 34,90 Começou a grande e última saga da DC Comics. E muitas das leituras espalhadas desde edições especiais ...

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domingo, 27 de maio de 2018

Como a Radioatividade Foi Descoberta


No ano de 1896, o francês Henri Bacquerel constatou que um composto de urânio - sulfato de potássio uranilo apresentava a interessante característica de causar uma mancha numa chapa fotográfica mesmo no escuro e embrulhada em papel negro. A interpretação de Becquerel era de que o composto emitia algum tipo de raio capaz de atravessar o papel e atuar sobre a chapa. Essa propriedade era semelhante à dos raios X descobertos um ano antes por Wilhelm Conrad Rontgen. Ainda no mesmo ano, Becquerel percebeu que os raios do urânio ionizavam gases , isto é , provocavam neles o aparecimento de íons , tornando-os condutores de corrente elétrica. Anos mais tarde , o alemão Hans Geiger utilizaria essa propriedade para criar o famoso contador Geiger. No final de 1897 , a polonesa Marie Sklodowska Curie passou a se interessar pelo fenômeno descoberto por Becquerel. Em abril de 1898 , ela já havia percebido que, além do urânio, outro elemento conhecido, o tório, também emitia os misteriosos raios. Começou, então, a suspeitar da existência de elementos radioativos desconhecidos. Em julho do mesmo ano, com a ajuda do marido, o físico francês de renome chamado Pierre Curie, descobriu um novo elemento que chamou de polônio. Alguns meses depois, ambos descobriram um elemento ainda mais radioativo ao qual deram o nome de rádio. Ainda no ano de 1898, Ernest Rutherford utilizou uma tela fluorescente para detectar as radiações provenientes de um material radioativo. Com auxílio de placas metálicas eletricamente carregadas descobriu que havia dois tipos de radiação , que chamou de alfa e beta. A radiação alfa , segundo ele , deveria ser formada por partículas de carga positiva , uma vez que seu feixe é atraído pela placa negativa . Já na radiação beta deveria ser formada por partículas negativas , pois seu feixe é atraído pela placa positiva. Além disso, como as partículas alfa sofrem um desvio menor, isso significa que elas devem possuir massa maior do que as partículas beta , pois, quanto maior for a massa de uma partícula , maior será a sua inércia e , portanto, mais difícil será alterar sua trajetória. Em 1900, Paul Villard , na França , descobriu uma outra forma de radioatividade que não apresenta carga elétrica , chamada de radiação gama. Nesse mesmo ano, Becquerel descobriu que as partículas beta são, na verdade, elétrons com alta velocidade. Em 1909 , Rutherford mostrou que as partículas alfa são íons de hélio bipositivos.


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Temperatura , Cinética Química e Seres Vivos



Todo ser vivo depende de muitas reações químicas que ocorrem dentro de seu organismo. O conjunto dessas reações químicas é chamado de metabolismo. A velocidade de tais reações depende da temperatura do organismo; quanto maior a temperatura , maior a velocidade das reações. O ser humano tem uma temperatura que permanece, em geral, constante ao redor de 37¤C. O aumento da temperatura , denominado hipotermia , faz o nosso metabolismo se acelerar. É o que acontece quando temos febre: nosso corpo trabalha em ritmo acelerado e, graças a isso, consome mais oxigênio e mais glicose. A febre é um mecanismo de defesa; permite matar vírus e bactérias mais rápido porque mobiliza o sistema de defesa natural do organismo. Contudo, temperatura corporal que se mantenha acima de 41,7¤C pode causar a morte porque acelera demais algumas reações que destroem substâncias vitais , chamadas enzimas.  Quando a temperatura corporal decresce, o consumo de glicose e oxigênio diminui graças à diminuição da velocidade das reações químicas do metabolismo. A redução da temperatura normal do nosso organismo caracteriza a situação de hipotermia. Ela pode acontecer , por exemplo, com pessoas que permanecem em mares frios depois de naufrágios ou queda de aeronaves. Temperaturas corporais prolongadas inferiores a 30¤C são fatais. Reduzem tanto o metabolismo que as reações vitais passam a ter velocidade insuficiente para manter a pessoa viva. O uso controlado da hipotermia pode, contudo, ser utilizado em Medicina. Em certas cirurgias cardíacas ou cerebrais, o paciente anestesiado é resfriado a cerca de 30¤ C, por contato com gelo . Isso reduz o consumo de oxigênio do coração ou do cérebro e reduz a chance de danos causados pela falta de circulação sanguínea, inevitável em alguns procedimentos cirúrgicos. Aqueles animais que , ao contrário dos humanos, não mantêm sua temperatura constante (por exemplo, os répteis e os anfíbios) possuem um metabolismo extremamente sensível à temperatura ambiente. Em tais animais, a velocidade das reações metabólicas aumenta durante o dia e diminui à noite, de acordo com a variação de temperatura do ambiente.  Graças a isso, eles precisam comer mais nos dias quentes de verão do que nos dias mais frios do inverno. Nas regiões mais distantes do equador e dos trópicos , onde os invernos são rigorosos , muitos desses animais costumam hibernar, ou seja , reduzir a velocidade  de seu metabolismo ao mínimo, entrando num "sono profundo" e só acordando na primavera , quando a temperatura ambiente volta a subir.


quarta-feira, 23 de maio de 2018

Interacionismo



A outra vertente da Sociologia nos Estados Unidos é representada por Charles H. Cooley (1864-1929) , que escreveu "The Human Nature And The Social Order" (A Natureza Humana e a Ordem Social , 1902) , "Social Organization" (Organização Social , 1909) e Social Process (Processo Social , 1918) , "Social Organization" (Organização Social, 1909) e "Social Process" (Processo Social, 1918) . Coole preocupava-se com os vínculos entre indivíduo e sociedade, destacando a liberdade individual , a ordem social negociada e a mudança social. Para ele , não há prevalência do indivíduo nem do grupo na análise sociológica ; há sempre um processo relacional entre ambos. A distinção e complementaridade entre os grupos primários e secundários é a marca que distingue sua contribuição com ênfase nas relações afetivas.  George H. Mead (1863-1932) foi seu companheiro de trabalho. Mead não publicou nada em vida . Artigos reunidos depois de sua morte no livro "Mind, Self And Society" (Mente , personalidade e sociedade, 1934) foram sua grande contribuição. Ele afirmava a necessidade da reflexão sobre a responsabilidade individual no contexto de uma coletividade que era sempre gerada por indivíduos orientados para os outros, mas também para si próprios. Ambos podem ser citados como os pioneiros da abordagem interacionista dos fenômenos sociais, a qual alcançou seu ápice com o canadense Erving Goffman (1922-1982), que se tornou um autor conhecido no mundo todo por meio de seus livros : "A representação do eu na vida cotidiana " (1959), "Manicômios, prisões e conventos" (1961) e "Estigma : notas sobre a manipulação de identidade deteriorada" (1963).



segunda-feira, 21 de maio de 2018

Democracia , Educação e Cidadania



O lado dramático e cruel da situação educacional brasileira está exatamente aí. O homem da camada social dominante tira proveito das deformações de sua concepção de mundo. Ao manter a ignorância , preserva sua posição de mando, com os privilégios correspondentes. O mesmo não sucede com o homem do Povo. As deformações de sua concepção de mundo atrelam-no , indefinidamente, a um estado de incapacidade , miséria e subserviência. Transformar essa condição humana, tão negativa para a sociedade brasileira , não poderia ser uma tarefa exclusiva das escolas. Todo o nosso mundo precisaria reorganizar-se para atingir-se esse sim. No entanto, é sabido que as escolas teriam uma contribuição específica a dar , como agências de formação do horizonte intelectual dos homens. Cabia à lei fixar certas condições , que assegurassem duas coisas essenciais: a equidade na distribuição das oportunidades educacionais; a conversão das escolas em instituições socializadoras, pondo cobro ao divórcio existente entre a escolarização e o meio social. Ainda aqui a lei se mostra parcial e inoperante. Atende aos interesses dos novos círculos de privilegiados da sociedade brasileira, como as classes médias e ricas das grandes cidades, e detém-se diante do desafio crucial : a preparação do homem para a democracia , que exige uma educação que não seja alienada política, social e historicamente. 

+Fernandes, Florestan. Educação e Sociedade no Brasil. São Paulo: Dominus/Edusp, 1966. P. 537.


sábado, 19 de maio de 2018

Rede De Comunicação na Bahia


"O ex-governador Antonio Carlos Magalhães montou uma estrutura de comunicação na Bahia voltada para a divulgação permanente das suas obras e da sua imagem. A estratégia de ACM é chamada de "coronelismo eletrônico" pelo deputado Jutahy Magalhães Junior (PSDB-BA), pré-candidato ao governo estadual. A influência pelos meios de comunicação começa com uma rede de 90 emissoras de rádio e TV espalhadas pelo Estado. Todas estão nas mãos de aliados políticos , parentes e amigos do governador. ACM concedeu a maioria dos canais quando foi ministro das Comunicações. Esta rede de comunicação garante garante a divulgação da imagem de ACM em todo o Estado. A veiculação massiva a propaganda do governo faz parte da estratégia. Nas últimas semanas no cargo (ACM deixou o governo em 2 de abril [1994]), o governador intensificou sua propaganda institucional . Pesquisa da empresa Levantamento de Dados e Anunciantes mostra que o governo estadual veiculou 127 minutos de propaganda em três emissoras de TV de salvador (Itapoã, Bandeirantes e Bahia) entre 19 e 29 deste mês, com imagens e até discursos de ACM. [...] A mídia de ACM privilegia os aliados e discrimina os adversários , segundo levantamento feito pelo jornal oposicionista Tribuna da Bahia. Entre janeiro e dezembro de 93, a publicidade do governo ocupou 33.615 centímetros de coluna no Correio da Bahia , que tem o governador como um dos proprietários . Na Tribuna, jornal de oposição , a propaganda ficou em 544 centímetros. Além disso, entre janeiro de 92 e março de 93 , o governo do estado pagou U$$ 1,6 milhão em publicidade à TV Bahia, que tem o deputado Luís Eduardo , filho de ACM , como um dos proprietários."

-Lucio Vaz . Folha de S.Paulo. 5 abr. 1994.


quinta-feira, 17 de maio de 2018

Como Olhar o Doente [Companhia Das Letras]


"Em 'O Nascimento da Clínica , [...] Michel Foucault (1926-1984) analisa um período crucial da história da medicina: o fim do século XVIII e o começo do XIX. Ocorreu então uma reorganização da maneira de olhar o doente [...]. Até então, diz Foucault , os médicos perguntavam ao doente o que estava errado com ele ; agora , passam a perguntar onde dói. O diagnóstico é feito com base em um sistema classificatório de doenças [...] A doença tem a sua sede em um órgão , e tem a seu lugar em uma classe. A intervenção médica passa a ter normas . Antes , quando o doente recuperava seu vigor, sua disposição , estava curado. Agora, padrões de normalidade , numericamente expressos, definirão o objetivo do tratamento. Essa transformação , mostra Foucault, não é apenas científica , ela é política e social. [...] Os médicos adquirirão uma consciência política: a luta contra a doença deve começar com uma luta contra o mau governo , e os doutores , por seu intenso contato com as pessoas , estão em posição ideal para tanto. Surge a autoridade médica, que pode tomar decisões afetando instituições , bairros, cidades. E essa intervenção já não se restringe ao corpo enfermo , mas também ao ar, à água , às construções , aos sistemas de esgoto. O hospital que, antes do século XVIII era basicamente uma instituição de caridade a cargo de religiosos, agora, [...] torna-se uma instrumento de medicalização coletiva e leiga [...]. Começam a surgir os sistemas de admiração médica , com registro de dados e sistemas estatísticos, Tudo isso significa poder, palavra que para Foucault é fundamental. [...] A medicina atua nas necessidade mais concreta do ser humano . Quando a saúde substitui a salvação da alma, conclui da alma , conclui Foucault, o poder dos doutores cresce exponencialmente."

SCLIAR, Moacyr. A paixão transformada. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p. 120-121


terça-feira, 15 de maio de 2018

A Estrutura e Função Dos Mitos


"O mito não é uma explicação destinada a satisfazer uma curiosidade científica, mas uma narrativa que faz reviver uma realidade do tempo da origens , que satisfaz a profundas necessidades religiosas, aspirações morais, a pressões e a imperativo de ordem social, e mesmo a exigências prática. Nas civilizações primitivas , o mito desempenha uma função indispensável : ele exprime , enaltece e regulamenta a crença ; preserva e impõe os princípios morais; garante a eficácia do ritual e oferece regras práticas para a orientação do homem. O mito, portanto, é um ingrediente vital da civilização ; longe de ser uma fabulação vã, ele é ao contrário uma realidade viva, à qual e recorre incessantemente ; não é absolutamente uma teoria abstrata ou uma fantasia artística, mas uma verdadeira regulamentação da religião e da sabedoria prática. Essa histórias constituem para os nativos a expressão de uma realidade original, maio e mais importante , pela da qual são determinados a vida imediata, as atividades e os destinos da humanidade. O conhecimento desa realidade revela ao homem a sentido dos atos rituais e morais, indicando-lhe o modo como deve executá-los."

MALINOWSKI, B. Apud Eliade, Mircea. Mito e realidade. São Paulo : Perspectiva , 1972.23.


domingo, 13 de maio de 2018

Santo Agostinho E A Alimentação


Enquanto o Império Romano desmoronava diante dos bárbaros, Santo Agostinho , um convertido à fé cristã, condenando entre outras a gula, um dos pecados capitais segundo o cristianismo , escrevia:

"Sustento uma guerra cotidiana com jejuns , reduzindo o corpo à escravidão . Ma depois disto vem o prazer para afastar as minhas dores. Efetivamente, se o remédio dos alimentos não nos socorrer , a fome e a sede tornam-se tormentos que abrasam e matam como a febre. Ora, estando este remédio sempre ao nosso alcance , graças à liberalidade dos vossos dons, que faz com que a terra, a água e o céu sirvam à nossa enfermidade, chamamos delícias a tal desgraça. Ensinastes-me a tomar os alimentos , só como remédio. [...]  Sendo a saúde o motivo do comer e beber , o prazer junta-se a esta necessidade , como um companheiro perigoso. Ordinariamente procura ir adiante, para que se faça  por ele o  que, segundo vou dizendo , faço ou quero fazer por causa da saúde. Ora , o limite não é o mesmo para ambos s casos, pois o que basta à saúde é insuficiente para o prazer. Muitas vezes não se vê bem ao certo   se é o cuidado necessário do corpo que pede esse esforço do alimento ; ou se é a voluptuosa e enganadora sensualidade que exige ser servida. [...] Esforço-me todos os dias por resistir a estas tentações , invocando , em meu auxílio , a vossa destra , e submetendo-Vos [a deus] as minhas incertezas , porque matéria ainda não está firme o meu parecer. [...] Arrancai-me de toda tentação. Não receio a impureza do alimento, mas temo a imundície do prazer."

Santo Agostinho, Confissões, São Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 288. Col. Os pensadores.


sexta-feira, 11 de maio de 2018

Das Questões Individuais às Questões Sociais



 Podemos chamar de questões sociais alguns problemas que vão além de nosso dia a dia como indivíduos , que não dizem respeito somente a nossa vida privada, mas estão ligados à estrutura de uma ou de várias sociedades. É o caso do desemprego, por exemplo, que afeta milhões de pessoas em diversos grupos sociais. Um bom exemplo desse assunto é dado pelo sociólogo estadunidense C. Wright Mills (1915-1962), que escreveu o livro A imaginação sociológica (1959) . Mills considera que, se numa cidade de 100 mil habitantes poucos indivíduos estão sem trabalho , há um problema pessoal, que pode ser resolvido tratando as habilidades e potencialidades de cada um. Entretanto , se em um país com 50 milhões de trabalhadores 5 milhões não encontram emprego, a questão passa a ser social e não pode ser resolvida como um problema individual. Nesse caso , a busca de soluções passa por uma análise mais profunda da estrutura econômica e política dessa sociedade. Existem também situações que afetam o cotidiano das pessoas e que são ocasionadas por acontecimentos que atingem a maioria dos países: por exemplo , a crise de 1929 , que levou ao colapso todo o sistema financeiro mundial; a chamada Crise do Petróleo , em 1973, provocada pela elevação súbita dos preços da principal matéria-prima do mundo; o ataque , em 11 de setembro de 2001, às Torres Gêmeas em Nova York , que alterou substancialmente a relação dos Estados Unidos com os outros países e , principalmente , o cotidiano do cidadão estadunidense.  Podemos perceber , assim, que acontecimentos completamente independentes de nossa vontade nos atingem fortemente. No entanto, é importante destacar que, tanto em 1929 como em 1973 e em 2001, os eventos mencionados foram resultado de uma configuração social criada pelas decisões de algumas pessoas , que provocaram situações que foram muito além de suas expectativas. Essas situações , além de afetar relações políticas , econômicas e financeiras de todos os países , também prejudicaram indivíduos em muitos lugares , até na satisfação de suas necessidades , como o consumo de alimentos e de combustível. Esses pontos , que estão presentes na biografia de cada um de nós, fazem parte da história da sociedade em que vivemos e , muitas vezes , assumem forma ainda mais ampla. Tomar uma decisão é algo individual e social ao mesmo tempo, sendo impossível separar esses planos.


quarta-feira, 9 de maio de 2018

O Final da Alemanha de Hitler - A Rendição do Japão


A Alemanha progressivamente ia se debilitando. Suas fábricas não produziam armas suficientes, os recursos estavam se esgotando . Hitler, porém, continuava mandando os alemães combaterem. Pouco a pouco , as cidades que os alemães haviam tomado iam sendo reconquistadas. Em 6 de junho de 1944 (o famoso Dia D) , as tropas aliadas desembarcaram na Normandia, incluindo a libertação da França. Os alemães queriam atacar a França, mas retrocederam . Paris foi libertada em agosto de 1944. De Gaulle tomou Paris , e novamente o governo francês voltou para essa cidade. A Bulgária capitulou em setembro de 1944. Atenas (Grécia) foi libertada em outubro de 1944. Em abril de 1945, a frente alemã se desmoronava por todos os lados. Os americanos , ingleses e russos se uniram para cercar Berlim. A Alemanha capitulou em 2 de maio de 1945. O Führer havia fugido ou se suicidado. No dia 8 de maio se fez o armistício. A guerra havia terminado na Europa, mas continuava no pacífico. As tropas americanas se dirigiram ao Pacífico. O general americano MacArthur foi reconquistando os arquipélagos do pacífico. Em fevereiro de 1945, entrou vitorioso em Manila (Filipinas). O Japão estava a ponto de ser derrotado. Usou em sua Força Aérea os pilotos suicidas kamikazes, que iam de encontro aos aviões e navios norte-americanos. A guerra poderia se prolongar por mais dois ou três , por isso os Estados Unidos resolveram lançar duas bombas atômicas sobre o Japão, a primeira no dia 6 de agosto de 1945, sobre Hiroshima, e a segunda no dia 9 de agosto de 1945, sobre Nagasaki. Morreram mais de 100 mil pessoas. a 2 de setembro de 1945 foi firmado o armistício a bordo do couraçado Missouri. A Segunda Guerra Mundial havia terminado. Consequências da guerra: 

1ª-Grandes perdas humanas (40 milhões de mortos , aproximadamente ) e milhares de mutilados;

2ª-Os países totalitários perderam seu prestígio , tendo vantagens as democracias capitalistas;

3ª- Os Estados Unidos passaram a dominar o bloco dos países capitalistas;

3ª- No Brasil, caiu a ditadura de Vargas. Nossa economia cresceu, pois , sendo um país agrícola , abastecemos o grandes mercados externos que, envolvidos na guerra , deixaram de lado a agricultura;

4ª- As produções bélicas aumentaram , assim como o emprego de armas atômicas;

5ª- O mundo foi dividido em dois blocos: bloco dos países capitalistas e bloco dos países socialistas;

6ª- Colônias se emanciparam (descolonização da Ásia e da África).

7ª- Crise econômica e desemprego;

8ª- Problemas sociais.


segunda-feira, 7 de maio de 2018

Democracia e Representação Política



Como já sabemos , a democracia pode ser entendida de de várias maneiras. Vamos destacar uma delas para examinar como a democracia desenvolveu-se no Brasil. As Regras Institucionais - No Brasil, a ampliação da participação política é um processo recente. Os detentores do poder, a serviço de uma minoria , por muito tempo mantiveram a maioria da população fora do processo eleitoral. Só para termos uma ideia , da proclamação da República , em 1889 , até 1945 , o número de eleitores foi de somente 5% da população aproximadamente, pequenas variações. Em 1960 , esse  índice havia subido para 18% . Em 1980 , 47% da população podia participar das eleições e , em 2006, perto de 70% da população tinha o direito de voto. Isso não significa que esse total de votantes participou efetivamente das eleições. Sempre houve um percentual significativo ( de 15% a 20% ) de ausências. Ou seja, cem anos se passaram para que a população pudesse participar majoritariamente das eleições no Brasil. Houve evolução também na consciência do eleitor , em relação ao tempo em que se comprava o voto dos mais pobres. Essa prática diminui gradativamente , à medida que se intensificou o processo de urbanização e diminuiu a pressão dos "coronéis" e seus comandados sobre a população rural , que ainda era maioria em 1960. Contribuiu para essa evolução o desenvolvimento das regras eleitorais e das técnicas de votar, principalmente o voto secreto com cédulas únicas impressas pelo governo central e a introdução de urnas eletrônicas. Colaboraram ainda a fixação de regras mais claras e a fiscalização da Justiça Eleitoral. No entanto , essas mudanças não foram suficientes para acabar com as práticas clientelísticas ainda presentes no cotidiano político dos brasileiros. Sobre a capacidade de governar de 1988, o que podemos observar é que , recentemente , depois da Constituição de 1988, o poder político civil deixou de ser vigiado pelos militares , que, desde o início da República , estiveram à frente dos governos ou ficaram nos bastidores influindo diretamente na condução da política nacional.


quinta-feira, 3 de maio de 2018

A Revolução Verde



A partir da década de 1950 , os Estados Unidos e a OU incentivaram a implantação de mudanças na estrutura fundiária e nas técnicas agrícolas em vários dos então chamados países subdesenvolvidos , muitos dos quais ex-colônias recém-independentes. Em plena Guerra Fria , a intenção dos norte americanos era evitar o surgimento de focos de insatisfação popular por causa da fome. Eles temiam pela instalação de regimes socialistas em alguns países do então Terceiro Mundo. Além do mais , a indústria química , que se desenvolveu voltada para o setor bélico , apresentava certa capacidade ociosa nesse período. O conjunto de mudanças técnicas na produção agropecuária - proposto aos países pobres para resolver o problema da fome - ficou conhecido por Revolução Verde. Consistia na modernização das práticas agrícolas (utilização de adubos químicos, inseticidas , herbicidas , sementes melhoradas ) e na mecanização do preparo do solo - do cultivo e da olheira - visando ao aumento da produção de alimentos. Com esse objetivo os Estados Unidos ofereceram financiamentos para a importação dos insumos , maquinaria e capacitação de técnicos e professores para as faculdades e cursos técnicos agrícolas. Os governos dos então países subdesenvolvidos passaram a promover pesquisa e divulgação de técnicas de cultivo entre os agricultores , e a fornecer créditos subsidiados. Entretanto, a proposta era adoção do mesmo padrão de cultivo em todas as regiões onde se implantou a Revolução Verde , desconsiderando a variação das condições naturais , das necessidades e possibilidades dos agricultores . Assim , a médio a longo prazo , essas inovações causaram impactos socioeconômicos e ambientais muito graves. Tal modelo proporcionou aumento de produtividade por área cultivada e crescimento considerável da produção de alimentos , principalmente de cereais e tubérculos. Porém , isso ficou restrito às grandes propriedades que possuíam terras em condições ideais para a modernização , como , relevo plano para possibilitar a mecanização e condições climáticas favoráveis , entre outros . Em países que não realizaram reforma agrária e os trabalhadores agrícolas não tinham propriedade familiar , sobretudo na África e no Sudeste Asiático , a mecanização da produção diminuiu a necessidade de mão-de-obra , contribuiu para o aumento dos índices de pobreza e provocou êxodo rural. O Sistema mais utilizado pelos países que seguiram as premissas da Revolução Verde foi a monocultura , o que resultou em sérios impactos ambientais. Além dos desequilíbrios ambientais causados pela monocultura , a modernização substituiu as inúmeras variedades de uma dada espécie). Assim grandes indústrias iniciaram o processo de controle sobre o comércio e a pesquisa que modificam a semente dos vegetais e passaram a controlar toda a cadeia de insumos. Entretanto essas sementes modificam não são férteis , o que obriga os agricultores a comprar novas sementes a cada safra se quiserem obter boa produtividade . Isso se tornou um grande obstáculo para os pequenos agricultores , pois trouxe a necessidade de comprar e reposição constante de sementes e fertilizantes que se adaptem melhor a elas , aumentando muito o custo de produção.



terça-feira, 1 de maio de 2018

O Conceito de Configuração


 De acordo com o sociólogo alemão Nobert Elias (1897-1990) , é comum distanciarmos indivíduo e sociedade quando falamos dessa relação, pois parece que julgamos impossível haver , ao mesmo tempo, bem estar e felicidade individual e uma sociedade livre de conflitos. De um lado está o pensamento de que as instituições - família , escola e Estado - devem estar a serviço da felicidade e do bem-estar de todos ; de outro , a ideia da unidade social acima da vida individual. As distinções entre indivíduo e sociedade levam a pensar que se trata de duas coisas separadas, como mesas e cadeiras, tachos e panelas. Ora, é somente nas relações e por meio delas que "os indivíduos podem possuir características humanas , como falar , pensar e amar" , como diz Elias em seu livro "A Sociedade dos Indivíduos" . E poderíamos complementar declarando que só é possível trabalhar , estudar e divertir-se em uma sociedade que tenha história , cultura e educação , e não isoladamente. Para explicar melhor o que afirma e superar a dicotomia entre indivíduo e sociedade, Elias criou o conceito de configuração (ou figuração). É um ideia que nos ajuda a pensar nessa relação de forma dinâmica , como acontece na realidade. Tomemos um exemplo : se quatro pessoas se sentam em volta da mesa para jogar baralho , formam uma configuração, pois o jogo é uma unidade que não pode ser vista sem os participantes e sem as regras. Sozinho, nenhum deles consegue jogar; juntos, cada um tem sua própria estratégia para seguir as regras e vencer. Vamos citar um exemplo mais brasileiro. Em um jogo de futebol, temos outra configuração , ou seja , há um conjunto de "eus" , de "eles" , de "nós". Um time de futebol é composto de vários "eus"- os jogadores - , que têm um objetivo único ao disputar com os do outro time. Há também as regras que devem ser marcar as possíveis infrações. Além disso, há a torcida , que também faz parte do jogo e congrega vários outros indivíduos com interesses diferentes , mas que , nessa configuração, têm um objetivo  único : torcer para que seu time vença. Assim, há um fluxo contínuo durante o jogo , que só pode ser entendido nesse contexto , nessa configuração. Essa relação acontece entre os jogadores , entre eles e a torcida , entre eles e o técnico , entre os torcedores , e entre todos e as regras, os juízes , os bandeirinhas , o técnicos e os gandulas. Fora desse contexto , não há jogo de futebol , apenas pessoas , que viverão outra configuração , em outros momentos. No grupo social é assim : não há separação entre indivíduo e sociedade. Tudo deve ser entendido de acordo com o contexto; caso contrário , perdem-se a dinâmica da realidade e o pode de entendimento. O conceito de configuração pode ser aplicado a pequenos grupos ou a sociedades inteiras , constituídas de pessoas que se relacionam . Esse conceito chama a atenção para a interdependência entre as pessoas. Por isso, Elias utiliza a expressão sociedade dos indivíduos, realçando a unidade , e  não a divisão.


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