Os países subdesenvolvidos já foram caracterizados como exportadores de produtos agrícolas e de matérias primas. Apesar de tal caracterização continuar válida para a maioria dos países desse grupo, são os países desenvolvidos que respondem pelo maior volume de produção e exportação de produtos agrícolas . Pra defender seus produtores , os países desenvolvidos utilizam subsídios e aplicam elevadas tarifas de importação aos produtos agrícolas, contrariando as regras da OMC. Mas barreiras não-tarifárias , como as barreiras zoossanitárias e fitossanitárias, são aplicadas também, de forma indiscriminada e não raro injustificada , prejudicando as exportações do mundo subdesenvolvido que já são afetadas pelas barreiras tarifárias e pelas cotas de importação. Entre 1950 e 1973, a produção mundial de cereais duplicou, fazendo cair os preços no mercado internacional. A partir de 1973, o crescimento da produção de cereais passou a atingir a média de 2% ao ano, índice inferior ao crescimento da população mundial.
No continente africano, por exemplo, onde a população tem sido bastante afetada por problemas de subnutrição , o crescimento populacional ultrapassa a média de 2,5% a.a. (ao ano) , enquanto o aumento da produção de cereais gira em torno de 1% a.a e até decresce em vários países. A defasagem entre a produção de alimentos básicos e o crescimento demográfico aumentou o déficit alimentar em vários países do mundo, em particular na África subsaariana . Essa situação tem se agravado com o de que boa parte da produção agrícola constituem a fonte de divisa básica dessa parte do mundo, sem as quais as importações tornam-se inviáveis.
Nos países desenvolvidos, a modernização da produção e os enormes incentivos destinados à atividade agrícola t~em gerado cada vez mais excedentes , colocando-os na liderança mundial das exportações do setor. Além disso, as políticas protecionistas de seus mercados dificultam o acesso da produção agrícola dos países subdesenvolvidos. Desde a década de 950, a participação dos produtos agrícolas no mercado mundial vem diminuindo gradativamente. Em parte, isso se deve à expansão do comércio mundial de mercadorias e à diversificação dos produtos negociados internacionalmente, sobretudo nas últimas décadas com a consolidação da globalização.



